Sobre guardanapos
Sabe...
Sempre me chamou atenção a forma simplista que você enxerga e explica as
coisas. Você é inteligente, não pelo fato de já ter seus diplomas de graduação.
Mas sim, por você ser uma pessoa prática, tranquila e que independente de
qualquer situação não se deixa abalar com pouco. Você sempre age da forma mais
fácil possível.
De todos nossos curtos momentos, o qual eu me permito lembrar é do nosso primeiro encontro. E
lá estávamos nós em um bar discutindo sobre todos os assuntos possíveis. Convenhamos que temos pontos de vista diferentes. Porém, isso deixava a coisa toda
se tornar mais interessante.
Vi ali um
interesse genuíno em compartilhar historias de vida, e claro, também alguns
traumas recentes. Ao longo da nossa conversa percebi que você era tão pra mim.
E já com receio de você perceber, comecei a me esconder dos teus olhares. Mas
era difícil. O modo de você olhar parece enxergar exatamente tudo, até o que
não está visível. Então, a única maneira
que encontrei de não me mostrar tanto foi me escondendo atrás dos guardanapos.
Sim, eu os abria e cobria o rosto, principalmente quando você gesticulava algo
que eu não queria rebater. E você ria da minha atitude, um riso farto, bonito.
Você é bonito. E ali naquele bar, eu e você, guardanapos e cerveja. E mais
risos.
Com passar do tempo me acostumei as tuas manias e ria também delas.
Odiava sua tara por minhas unhas e sede por carinho de bom grado. Mas sempre me deixou feliz sua atitude de ressaltar que gostava da minha companhia.
Hoje, confesso que era perdidamente apaixonada pelo seu cabelo, ele deslizava tão bem entre meus dedos durante o cafuné que fazia você cochilar. Gostava também dos teus lábios. Eles são daqueles que pedem para serem mordidos. E eu os mordia.
Gostava de me aconchegar em teu colo, de quando você me pegava no colo sempre com aquela frase pronta ao meu ouvido:
- Você é tão leve.
Eu ria no teu pescoço, passava as unhas por tua nuca...
Você era meu melhor ouvinte. Sempre reclamando quando eu ficava calada. Acho que você curtia meu Eu tagarela.
Estava me recordando que foi pouco. Mas foi bom. E quando me pego em bares, vez ou outra, eu cubro meu rosto com guardanapos e começo a ri.
Não estou com uma saudade que machuca ou nostálgica. Mas uma saudade saudável, doce. Daqueles momentos que tivemos que foram poucos. Porém, bem aproveitados, alegres, bonitos e um tanto interessantes... Tiveram fim, acho que até no momento certo. No entanto, não vejo necessidade de esquecer. Guardo-os comigo e meus eternos guardanapos.



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